sexta-feira, 22 de agosto de 2014

JULIO FLORES DEFENDE UMA ALTERNATIVA DE ESQUERDA PARA O BRASIL

Jornal do Comércio 20/08/2014

Para Julio Flores, Brasil precisa de uma alternativa de esquerda


Eduardo Amaral

GILMAR LUÍS/JC
Julio Flores defende que o Brasil precisa de uma alternativa de esquerda
Julio Flores defende que o Brasil precisa de uma alternativa de esquerda
Candidato ao Senado pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Julio Flores defende que o Brasil precisa de uma alternativa de esquerda. Forte crítico dos governos dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e da gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso, o político mantém, após mais de 30 anos de militância, o discurso do começo da vida política, em 1979.

Em 2014, vai para sua décima eleição, tendo concorrido a diversos cargos sem ter sido eleito. Em 2004, quando concorreu a vereador de Porto Alegre, chegou a receber mais votos que concorrentes eleitos, porém, em razão da cláusula de barreira, não assumiu.

Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Julio Flores critica a polarização existente entre representantes da direita e o PT, que se coloca, segundo ele, como sendo de esquerda. Para o candidato, os dois partidos representam o mesmo projeto.

Jornal do Comércio - O que as candidaturas do PSTU trazem de diferente para o cenário eleitoral?

Julio Flores –
 Nós achamos que a nossa Frente de Esquerda (coligação entre PSTU e P-Sol no Estado), o PSTU em particular, é o que faz a diferença. Porque todos os demais partidos de uma maneira ou de outra já governaram o Estado e o País, e governaram pros ricos sempre. E a nossa proposta é justamente que a gente tenha um governo a nível nacional, um governo dos trabalhadores, que rompa com a lógica de dominação sobre o povo, que tem sido os governos tanto PSDB, com Fernando Henrique, como de Lula e Dilma. São governos que efetivamente têm governado para os ricos, o próprio Lula não cansa de alardear que nunca os banqueiros e os empresários ganharam tanto quanto sob os governos do PT. Todo aquele propósito inicial de um governo dos trabalhadores, de governar para o povo, tem sido objetivamente desmentido por parte do próprio PT. Faz 12 anos que eles estão governando o país e o que a gente observa é que eles tem governado pros ricos. A diferença é que nós, do PSTU, agora em aliança com o P-Sol, aqui no Rio Grande do Sul, temos o propósito de fazer esse debate. O debate de que é necessário romper com essas amarras e estabelecidas pelo capital internacional e fazer mudanças profundas, porque é a única maneira de resolver o problema da miséria, da fome, do analfabetismo, da opressão às mulheres, aos negros, aos homossexuais.

JC - A disputa para o Senado, até o momento, está polarizada entre Olívio Dutra (PT) e Lasier Martins (PDT). Como o PSTU entra nesse embate?

Julio Flores –
 Do mesmo modo que tem essa falsa polarização entre Ana Amélia (PP) e Tarso (PT), tem também no senado uma outra polarização. E veja você que a RBS tem importância nas duas disputas, Ana Amélia foi funcionária da RBS durante anos e o Lasier Martins (PDT) também. A RBS está nesse disputa e o PT está nessa disputa. Então há uma disputa que do meu ponto de vista é uma falsa polarização, porque uns entendem que o PT é esquerda e a RBS, com a Ana Amélia e o Lasier Martins são a direita. E de fato isso não existe, eles têm o mesmo programa.

JC - Há quatro anos, se elegeram os senadores Ana Amélia (PP) e Paulo Paim (PT). O P-Sol, que está coligado com o PSTU, concorria, mas, em dado momento da campanha, para diminuir a ameaça da candidatura de Germano Rigotto (PMDB) a Paim, que tentava a reeleição, o P-Sol optou por se retirar e apoiar o petista. Isso pode acontecer agora?

Julio Flores –
 Eu acho que, em primeiro lugar, a decisão do P-Sol foi errada na época. Eles tomaram uma decisão de apoiar o Paim. Mas o Paim, apesar de parecer ser um sujeito que defende a aposentadoria, os aposentados, de fato, ele reforça todo esse governo que o PT tem desenvolvido nos anos todos. Então, foi errada a decisão, tanto é que não só nós entendemos isso como vários companheiros da frente que apoiavam o Olívio, apoiavam o PT, votaram na nossa companheira Vera Guasso significativamente naquela ocasião. Dentro do P-Sol, inclusive, e dentro da própria Frente Popular, vários companheiros se posicionaram favoravelmente a nossa candidatura ao Senado. Hoje, não creio que seja igual, mas é parecido, e essa coisa do voto útil. E isso interessa ao próprio PT e à Frente Popular, polarizar com a direita para que o PT possa se favorecer. O projeto de todos eles é resolver o problema dentro do regime atual, passar por dentro do processo de dominação do capital sobre o trabalho a partir das instâncias superiores, a Câmara Federal, o Senado, a presidência da República, o governo do Estado. Então eles não propõem nenhuma mudança substancial.

JC - Como está a relação com o P-Sol?

Julio Flores –
 Felizmente, nós conseguimos aqui com o (candidato a governador Roberto) Robaina (P-Sol) e comigo, ao Senado, uma coligação completa, estabelecer um programa mínimo de oposição ao governo, porque nós não queremos nem que a direita volte e nem que a Frente Popular siga. Nós queremos ser a terceira, a opção nesses dois campos de polarização que eles estão colocando com Ana Amélia e Tarso, Lasier (Martins, PDT) e Olívio. A verdadeira esquerda, tanto que meu lema para o Senado é: “Esquerda de verdade”.

JC – Não é a sua primeira eleição, não teme, em algum momento, se tornar um personagem folclórico?

Julio Flores –
 Não, pelo contrário, essa firmeza de ideias que o PSTU tem é uma virtude nossa. O que pode virar folclore é o fato de as pessoas verificarem que o Lula não é mais de esquerda, isso é uma piada. Porque quando o sujeito governou o País, foi eleito, fez alianças com Deus e Diabo. Aí eu pergunto, foi para isso que a gente elegeu o Lula? Não foi. Foi para mudar a vida das pessoas, acabar com a miséria, acabar com a exploração, com a acumulação de capital e a concentração de terras. Então,isso vai virar folclore, porque a origem do PT foi justamente o contrário. Hoje, ele está dizendo que o burguês não tem do que se queixar. Isso é ridículo, isso engendra folclore. Isso é uma piada. O PSTU só está resgatando aquilo que foi o propósito do inicial do PT e da CUT. O nosso propósito é fazer uma revolução social, é mudar a estrutura social do País.

JC – A crítica ao PT não pode se repetir em relação ao PSTU quando este chegar ao poder?

Julio Flores –
 Não há nenhuma garantia, a única garantia que existe é, primeiro, as nossas convicções. Mas também a nossa história, para teres uma ideia, nós rompemos com o PT em 1992, nós éramos favoráveis a levar às ruas a campanha pelo Fora (Fernando) Collor, e o José Dirceu (PT) foi o cara que operou toda a expulsão da Convergência Socialista (antiga corrente do PT que deu origem ao PSTU) que na época defendia o Fora Collor, e eles eram contra. Não há vacina para isso, a única vacina é a convicção e a relação objetiva que a gente estabelece com todas as organizações. Por exemplo, o principal mecanismo de cooptação existente hoje são os salários dos deputados, senadores e vereadores. E para nós o salário de um deputado nosso, como a nossa companheira Amanda (Grurgel, vereadora em Natal) e do Cleber (Rabeleo, vereador em Belém) são vereadores nossos, mas eles não ganham mais do que ganhavam antes de serem eleitos. Eles ganham o salário de origem. Em contrapartida, mesmo que o deputado ganhe R$ 20 R$ 30 mil, o resto vai para o fundo do partido para apoiar as lutas dos trabalhadores. Então, o mandato não é um privilégio.

JC – Como explicar para a população essa destinação de parte do salário para um fundo partidário?

Julio Flores –
 Eu acho que é simples, não tem muito drama nisso. Ao invés de o salário enriquecer o parlamentar, vai para o fundo para ajudar a luta dos trabalhadores. Então, isso tem simplicidade, não tem muito o que questionar, porque esse é o nosso propósito. Se tem uma greve, tem uma ocupação, tem uma luta, o PSTU não vai titubear no que vai fazer com esse dinheiro. Isso não vai para enriquecer as pessoas, o partido, ela vai estar em serviço da construção do próprio partido, mas principalmente no fortalecimento da luta do povo.

Perfil

Professor de matemática, Julio Flores tem 55 anos, nasceu em São Borja e iniciou a militância no movimento estudantil em 1979. Militante do PSTU desde a sua fundação, também participou da fundação do PT, partido do qual foi expulso em 1992. Nas eleições estaduais, concorreu a governador em 2002 e 2010. Em 2014, concorrerá ao Senado pela segunda vez. Em 1998, fez pouco mais de 24 mil votos, quando estreou na disputa pela vaga ao Senado.

domingo, 17 de agosto de 2014

ELEIÇÕES 2014. A CAMPANHA NA TELINHA


ZERO HORA 16 de agosto de 2014 | N° 17892

CLEIDI PEREIRA

AS ESTRATÉGIAS PARA A ESTREIA NA TV

OS PROGRAMAS PRESIDENCIAIS, na terça-feira, serão marcados por homenagens a Campos. Na quarta, começa a propaganda para o Piratini



Em clima de luto e tributo. Assim será a largada da campanha no rádio e na TV na terça-feira, após a morte de Eduardo Campos. Não fosse o acidente aéreo, o candidato do PSB seria o primeiro a aparecer no horário eleitoral.

Com vazio provocado pela perda do seu principal líder, o PSB deve dedicar ao menos o primeiro programa para homenagear Campos. Os demais partidos e coligações que disputam o Planalto devem fazer o mesmo. Na propaganda de Dilma Rousseff (PT), a expectativa é de que o ex-presidente Lula, que era amigo de Campos, fale a respeito do socialista.

Na disputa pelo governo do Estado, no programa de quarta-feira, Ana Amélia Lemos (PP), José Ivo Sartori (PMDB) e Vieira da Cunha (PDT) também irão homenagear Campos.

De acordo com a presidente da Associação Latino-americana de Consultores Políticos, Gil Castilho, a propaganda na TV deve ter um peso ainda maior nestas eleições, devido ao número de indecisos, nulos e brancos. Conforme a última pesquisa Ibope, esse grupo de eleitores chega a 24%. Em 2010, à mesma época, o índice era de 19%.

– A TV ainda tem um impacto imenso no Brasil, e a estreia é o momento em que os candidatos se apresentam, dão o tom da campanha e mostram a que vieram. Há toda uma expectativa em relação às primeiras aparições – diz Gil.




Ana Amélia mostrará suas origens


Conhecida por sua carreira no jornalismo, Ana Amélia Lemos (PP) irá dedicar seus três primeiros programas de TV para mostrar aos eleitores os principais momentos de sua trajetória pessoal e profissional. Segundo Ricardo Bottega, diretor de criação da campanha da senadora, a ideia é apresentar as origens humildes da candidata, dar visibilidade ao seu trabalho no Congresso e explicar por que ela aceitou concorrer ao Palácio Piratini.

Esperança e mudança serão as palavras-chave da campanha na TV, que também terá muitas imagens fora de estúdio. A senadora, segundo assessores, não mudou seu guarda-roupa em função do horário eleitoral, no qual deve aparecer com seus característicos trajes discretos em tons mais sóbrios. Estrategistas da candidatura também apostam na desenvoltura da senadora diante das câmeras como um diferencial em relação aos demais concorrentes.

O PP estuda formas de exibir imagens de Aécio Neves (PSDB) em sua propaganda, apesar de estar impedido pelo fato de a sigla estar nacionalmente ao lado de Dilma Rousseff (PT).


Sartori vai expor gestão em Caxias


Dono do segundo maior tempo de TV, José Ivo Sartori (PMDB) tem o desafio de superar o desconhecimento do eleitorado em relação ao seu nome. Por isso, o foco da largada será a trajetória do candidato, que já foi deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e prefeito.

Coordenador de marketing da campanha, o jornalista Marcos Martinelli conta que o primeiro programa também servirá para “prestar contas” do que foi realizado por Sartori na administração de Caxias do Sul em dois mandatos. O objetivo é apresentar o peemedebista como um gestor preparado, reforçando o slogan do “gringo que faz”.

Além de destacar ações em áreas como saúde, educação e infraestrutura, serão feitas comparações mostrando que o candidato solucionou em Caxias problemas semelhantes aos enfrentados pelo Estado. Segundo Martinelli, no decorrer dos programas, Sartori deverá apontar os principais desafios do Rio Grande do Sul, mas também indicar saídas. Imagens captadas na rua, com o candidato em contato com os eleitores, também serão bastante exploradas.




Tarso apostará em obras e pessoas


O otimismo em relação à situação atual do Estado dará o tom dos programas do governador Tarso Genro (PT), que busca algo inédito no Rio Grande do Sul: a reeleição ao Palácio Piratini.

Com uma estética mais “naturalista e documental”, as propagandas de TV do petista mostrarão o que o governo realizou e contarão com muitas imagens gravadas fora de estúdio, principalmente de obras e pessoas beneficiadas por programas do governo. Na estreia, irão ao ar cenas registradas em várias regiões do Estado. Segundo o coordenador de comunicação da campanha, João Ferrer, o objetivo é “retratar da melhor forma possível a realidade”.

Imagens da presidente Dilma Rousseff – que tem no Rio Grande do Sul índices de intenção de voto melhores do que sua média nacional – também serão bastante exploradas, mas com maior intensidade nos programas subsequentes. Como Dilma e o ex-presidente Lula estarão no Estado no dia 22 para participar de um ato no Gigantinho, o evento é considerado estratégico para a tomada de cenas que serão exibidas nas propagandas petistas.


Vieira vai largar com propostas


Experiência, posição e verdade serão as palavras mais utilizadas e que também darão a tônica da campanha do deputado federal Vieira da Cunha (PDT). De acordo com o coordenador de estratégia da candidatura, Fabner Utida, os primeiros programas apresentarão o trabalhista como um candidato com ampla bagagem de gestão pública e sem “nenhum arranhão” em sua trajetória política.

Além da atividade parlamentar, serão destacadas as passagens de Vieira pelo comando do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), nos anos 1980, e da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), na década de 1990.

Para compensar o menor tempo de TV entre os principais candidatos ao Piratini, propostas já serão apresentadas na largada do horário eleitoral. Entre elas, ações nas áreas de saúde, segurança e educação, como as escolas em tempo integral – uma tradicional bandeira do PDT. Assim como nos debates, Vieira deve continuar sendo um dos candidatos com a postura mais crítica em relação à gestão de Tarso Genro, apesar de o PDT ter participado do governo.




Robaina sem “dramaturgia”


Devido ao baixo orçamento e ao escasso tempo de TV, os programas de Roberto Robaina (PSOL) irão girar em torno de propostas, “sem musiquinha e teledramaturgia”, segundo ele.

Entre os temas que ganharão destaque, o pagamento do piso do magistério, a reativação do Laboratório Farmacêutico do Estado (Lafergs), o combate à privatização da saúde e a defesa de uma auditoria da dívida pública do Estado.

O primeiro programa também vai ser dedicado à biografia de Robaina. A apresentação será feita pela candidata da sigla à Presidência, Luciana Genro, companheira de militância de Robaina desde a década de 1980, quando ambos estudavam no Colégio Júlio de Castilhos.

Cenas dos protestos de 2013 também ilustrarão a campanha do candidato do PSOL, associadas ao mote “o povo acordou”.



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

CANDIDATO COMUNISTA À PRESIDÊNCIA PROPÕE EXTINÇÃO DA PM

NOTÍCIAS TERRA, 08 de agosto de 2014 • 18h49 • atualizado às 18h57



Keka Werneck
Direto de Cuiabá (MT)


Mauro Iasi citou as origens da corporação para pedir seu fim
Foto: Keka Werneck / Especial para Terra



Em passagem por Cuiabá (MT) nesta sexta-feira, o historiador Mauro Iasi, candidato a presidente da República pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), defendeu a extinção da Polícia Militar, que, na opinião dele, “produz um genocídio, principalmente de pretos e pobres no País”.

Na capital matogrossense fazendo campanha eleitoral, Iasi rechaçou o modelo da corporação e afirmou que o alto índice de homicídios e a criminalização das manifestações populares são exemplos de consequências de um sistema militar fora de controle.

“A Polícia Militar perdeu o controle da situação e 70% dos próprios integrantes da PM querem a desmilitarização da corporação. Mas nós vamos mais além e queremos é a extinção”, afirmou Iasi, que é professor de Sociologia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo ele, a origem da PM é a guarda nacional, criada para reprimir escravos foragidos. “No período da ditadura, teve novamente um papel no combate aos chamados subversivos e agora, nas manifestações populares, tem agido de modo desproporcional”, explicou.

A violenta e discriminatória abordagem da PM, na opinião dele, é outro indicador de que “não dá mais”. O candidato contou um caso para ilustrar esse problema. “Um professor universitário conhecido meu, negro, estava pintando a própria casa, em um bairro de classe alta, e por isso vestia uma roupa suja, por causa do trabalho que estava fazendo. Parou para descansar na varanda, quando um carro da PM passou e viu a cena. O professor foi preso, levado para a delegacia, porque não acreditaram nele quando disse que morava ali."

O historiador admite que dentro da corporação possam ter profissionais que atuam com responsabilidade. “Mas mesmo em cima desses, a corporação exerce uma pressão muito perversa e eles são obrigados a se adequar ou acabam doentes ou expulsos."

Para reencaminhar os quadros de concursados da corporação, o professor entende que deveriam migrar para a Polícia Civil. Embora o policiamento militar seja uma atribuição dos Estados, Iasi acredita que o governo federal tem a responsabilidade de sugerir aos governadores que tomem essa atitude.

O formato da PM, para o candidato, se sustenta em um tripé falido: endurecimento das penas, repressão e encarceramento. “Esta é uma escolha errada, segurança não se garante dessa forma. Se você entrar nas favelas, vai sentir que a população não quer mais esse tipo de policiamento."

Uma parte da população brasileira, no entanto, pede mais policiamento. “É uma visão conservadora e preocupante, porque é possível compreender como a PM age, mas jamais justificar e manter.”

A extinção da PM é uma das propostas que o candidato tem levado às cidades. O programa dele segue cinco eixos: desmercantilização da vida e a estatização de serviços básicos, incluindo moradia; reversão das privatizações, baseando-se nas irregularidades dos processos de venda; criação de condições políticas para efetivar mudanças reais, através da democracia real e do exercício direto do poder popular; ampliação da garantia de direitos, principalmente dos mais ofendidos, como negros, mulheres, homossexuais, trabalhadores escravizados e outros segmentos desfavorecidos; e observar a dimensão internacional do Brasil e suas relações exteriores no contexto mundial.

Mauro Iasi fará palestra na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) nesta sexta-feira, às 19h, sobre as últimas mobilizações sociais no Brasil. “Uma bomba relógio que explodiu em 2013”, diz ele. “O transporte foi só o nervo mais exposto”, considerou, se referindo ao movimento “não é pelos 20 centavos”.

Sobre os manifestantes mascarados, disse que “ainda que a gente discorde da prática black blocs, não defendemos a criminalização deles, porque tememos que eles sejam na verdade uma janela para criminalizar os movimentos sociais como um todo”.

O candidato afirma que não se incomoda com o baixo índice de intenção de votos que tem e acredita que possa aproveitar esse período eleitoral para propor o debate sobre “temas ausentes”.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

FOCO DEDILMA SERÁ NAS OBRAS


zero hora 12 de agosto de 2014 | N° 17888


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira




A entrevista de Dilma Rousseff no Painel RBS com os candidatos à Presidência da República dá uma pista do que será o eixo dos seus programas na propaganda eleitoral: foco nas obras dos últimos quatro anos e dos oito do governo Lula. Dilma acha que o Brasil não conhece nem metade do que a gestão dela fez e considera o horário eleitoral o verdadeiro início da campanha. Com mais tempo de TV do que os adversários, diz que analisa as pesquisas com um olhar diferente da visão dos jornalistas: em vez de se ater às intenções de voto, dá mais valor à tendência e às qualitativas, que mergulham na alma do eleitor.

Uma hora de entrevista não foi suficiente para abordar todos os temas que estão na ordem do dia e falar das propostas para um eventual segundo mandato. Dilma continuou a conversa por mais meia hora na biblioteca do Palácio da Alvorada.

Fora do ar, questionou a isenção do relator do caso Petrobras no TCU, ministro José Jorge, e sugeriu que ele deveria se declarar impedido de tratar da estatal, porque foi um dos líderes do antigo PFL e titular do Ministério de Minas e Energia no governo Fernando Henrique, em 2001, quando a plataforma P-36 afundou. Os petistas também associam o nome de José Jorge a uma ruinosa troca de ações com uma subsidiária da Repsol, na Argentina, em que a Petrobras teve um prejuízo estimado em US$ 2,5 bilhões.

Na conversa informal, a presidente lamentou não ter conseguido realizar a reforma política. Disse que, na campanha, vai reapresentar a proposta de um plebiscito, por estar convencida de que, sem participação e pressão popular, o Congresso não votará a reforma política.

Dilma riu das promessas dos adversários de reduzir à metade o número de ministérios:

– Eles disseram quais pretendem cortar?

Na avaliação da presidente, todas as 39 pastas têm um papel a cumprir, e até a Secretaria da Pesca é considerada estratégica.

Os prefeitos, vices e vereadores da coligação O Novo Caminho Para o Rio Grande, reunidos ontem em Porto Alegre, receberam o recado: a candidatura de José Ivo Sartori (PMDB) é de oposição ao governo Tarso Genro. Embora o conceito pareça uma obviedade, visto que Sartori rejeitou o apoio do partido a Dilma – preferiu Eduardo Campos (PSB) – e o PMDB faz forte oposição a Tarso na Assembleia, alguns apoiadores do ex-prefeito de Caxias do Sul ainda não haviam entendido o seu discurso.

– Precisamos nos apresentar à sociedade gaúcha como oposição. Foi uma reunião de alinhamento de discurso político. Precisamos expressar melhor o que defendemos – explicou o coordenador da campanha de Sartori, o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo.

Apesar de a maioria do partido estar a par da posição contrária de Sartori à aliança com Dilma quando apostou na sua candidatura, uma fatia da sigla ainda prefere apoiar a petista. Na sexta-feira, o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), vem à Capital lançar um comitê da campanha de Dilma no Estado. 


TEMOS QUE REALIZAR OBRAS COM RAPIDEZ


ZERO HORA 12 de agosto de 2014 | N° 17888


ENTREVISTA DILMA ROUSSEFF


“Temos de realizar obras com a rapidez de que o Brasil precisa”




Eram 12h30min quando a presidente Dilma Rousseff entrou sorridente na biblioteca do Palácio da Alvorada para participar do primeiro Painel RBS Especial com os candidatos a presidente da República. Vestindo um blazer que definiu como de cor “rosa chiclete”, tomou duas providências antes de iniciar a entrevista: bebeu água de coco com um canudinho “para não estragar o batom” e colocou soro no nariz, para enfrentar a secura de Brasília. Àquela hora, a umidade relativa do ar era de 25%.

– Se não fizer isso, sangra – explicou.

Dilma começou a entrevista reafirmando o compromisso de orientar sua base no Senado a votar, em novembro, o projeto que reduz o juro e altera o índice de correção do saldo da dívida dos Estados. Justificou que a mudança é necessária para adequar o contrato à situação da economia, que hoje tem juros mais baixos do que à época da renegociação, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A presidente descartou a possibilidade de alterar o percentual de comprometimento da receita com o pagamento da dívida e criticou, sem citar nomes, os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), que acenam com a redução. Disse que não dá para fazer dois discursos – um para o mercado, prometendo aumento do superávit primário, e outro nos Estados, acenando com a redução.

Na última pergunta, sobre a possibilidade de demitir a presidente da Petrobras, Graça Foster, se o Tribunal de Contas da União decidir pelo bloqueio dos bens dela, disse que é inadmissível o que os adversários estão fazendo com a empresa. Elogiou Graça Foster e disse que ela está pagando por seus acertos, não pelos erros.

A seguir, os principais pontos da entrevista concedida aos jornalistas Carolina Bahia, Moacir Pereira e Rosane de Oliveira.

Índice de correção da Dívida dos Estados

No que depender do governo federal, o projeto que altera o indexador (índice que reajusta o valor do saldo da dívida) será votado depois do processo eleitoral. Por que enviamos esse projeto ao Congresso? Quando a renegociação da dívida dos Estados com a União foi feita, lá atrás, o indexador tinha a ver com o fato de que a taxa média de juro estava em torno de 27% no governo Fernando Henrique, com um pico de 45%. No governo do presidente Lula, tivemos um decréscimo tanto na taxa de juro nominal como na real. Hoje, temos juro básico de 11%. A gente tinha de transferir para Estados e municípios o ganho com essa queda e com a redução da dívida líquida sobre o PIB do país, que era 60%, no final do governo Fernando Henrique, e hoje está em 34,35%. Isso foi muito importante, porque, antes de mandarmos esse projeto para a Câmara, concebemos que seria muito melhor a gente fazer uma redução na taxa de juro do que uma redução nos pagamentos da dívida, como preconizaram alguns dos meus adversários ao chegarem no Rio Grande do Sul. Causa estranheza o seguinte: todos eles falam em elevar o superávit primário. Não tem como elevar o superávit primário reduzindo pagamento de dívida. Tem algum falando para o mercado uma coisa e para a sociedade outra.

Comprometimento da receita com a dívida

Não é uma discussão para depois da eleição (a redução do percentual de comprometimento da receita do RS com o pagamento da dívida de 13% para 9%). É para o futuro, porque o país tem de ter responsabilidade fiscal. Então, faremos essa discussão quando for oportuno. O que está no Congresso e que nós nos comprometemos a aprovar é justamente essa redução da taxa Selic. Agora, no que se refere a investimentos, é bom notar o seguinte: desde 1998, o Rio Grande do Sul não tinha um processo de investimento. Em 1998, fizeram uma renegociação da dívida, e a capacidade de investimento do Estado se tornou pouco significativa, R$ 290 milhões. Em 2008, fizemos uma reestruturação da dívida, em torno de R$ 1,9 bilhão foram reestruturados, mas não houve também aumento de investimento. No meu governo, a partir de 2011, ampliamos a capacidade de investimento em R$ 4,7 bilhões, sendo que, desse valor, entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,9 bilhões foram financiamentos dos bancos públicos, BNDES e Banco do Brasil, e o restante foi do Banco Mundial. Além disso, também aceitamos o pagamento de uma questão que estava há anos para ser paga, que era a dos R$ 3 bilhões da CEEE. Ou seja, a Companhia de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul tinha um pleito por conta de resultados a compensar, chamada CRC. Ocasionalmente, quem entrou contra a União fui eu quando era secretária de Energia do Estado. E interrompemos um contencioso de anos fazendo um acordo com o Estado. O Estado, a partir daí, teve mais R$ 3 bilhões, e nos termos do acordo do pagamento, era para investimento. Então, totalizando R$ 7,7 bilhões pela primeira vez em 12 anos. Acho que isso contribuiu muito com as taxas de crescimento acima da média.

Atraso nas obras de infraestrutura

Tem várias coisas que atrasam muito. Todo santo dia ficamos inconformados com o atraso nas obras. A gente corre atrás. O Brasil tem vários mecanismos, o próprio processo licitatório, que agora é feito sob RDC (regime diferenciado de contratações), melhorou muito o tempo de rea- lização da obra. Antes, não havia projeto. Você depende de projeto básico, de projeto executivo, EIA-Rima, depois você tem o licenciamento da licença prévia, da LI e da licença de operação, a LO. Você tem um cronograma a ser realizado. Posso dizer que nós realizamos obras que ninguém esperava. A BR-448 (Rodovia do Parque), que é extremamente complexa, feita inteirinha sobre viaduto. É uma obra que tira o tráfego da estrada que causava maior mortandade no Rio Grande do Sul (BR-116). Nós entregamos a 448. Houve atraso? Sim, porque teve problema de licenciamento e de engenharia.

Burocracia

Uma das questões fundamentais para o meu próximo governo é simplificar os processos de realização de obras. Não estou dizendo aqui para não fiscalizar e não respeitar o ambiente, mas para você poder realizar as obras de que o Brasil precisa com a rapidez de que o Brasil precisa.

Investimento em aeroportos regionais

Há vários casos de parcerias, dependendo do tamanho do aeroporto. Fizemos um estudo, uma contratação via Banco do Brasil, e também agora os projetos para poder fazer a licitação. A primeira será a seguinte: não é o governo que faz a obra, é o setor privado. Ou seja, nós vamos contratar pessoas que vão investir. Em alguns aeroportos – geralmente os que têm mais capacidade de gerar demanda, em cidades médias significativas –, podemos inclusive fazer com que a administração seja por concessão. Agora, um aeroporto menor não vai ser por concessão porque não vai ter interessado. Há cidades médias em que temos parcerias com governo do Estado. Vamos discutir com o governo dos Estados para ver o que eles preferem. Não há dúvida de que Gramado tem demanda. Temos de avaliar se é possível fazer concessão ou se faremos sob forma de obra pública, e o município ou quem o Estado considerar será o administrador. Acredito muito na administração, quando é viável, na parceria público-privada (PPPs).

Parcerias público- privadas em presídios

Acho que pode. Agora, isso não é função do governo federal decidir. A decisão deve ser dos órgãos estaduais. O sistema penitenciário, em que pese a gente fazer financiamento e colocar dinheiro para ajudar os Estados a fazer presídios, a decisão de investir é deles. Fizemos parcerias muito boas com o governador Raymundo Colombo (SC) e com o governador Tarso Genro. Acredito que em vários segmentos a PPP é fundamental. Vou te dar um: saneamento. Acredito que grandes obras de saneamento vão precisar de recursos do governo federal, do governo do Estado e, em alguns casos, até da própria prefeitura, quando tem porte, e do setor privado. Já vi várias PPPs dando certo na área de saneamento. A vantagem da PPP é que as regras de administração são aquelas que são características do setor privado. Então, tem menos burocracia, enfrenta menos problemas e, em alguns casos, tem mais agilidade.

DEMARCAÇÃO DE TERRAS INDÍGENAS

Quando estive na CNA (Confederação Nacional da Agricultura, para uma sabatina), debati essa questão. O Brasil teve um processo muito significativo de demarcação do território no que se refere às áreas indígenas. Hoje, há um conflito entre áreas que tem a titulação, muitas vezes dada pelo próprio agente público, e as populações indígenas. Isso não se resolve judicializando, sem negociação. Aí tem várias hipóteses. Uma é a adoção de políticas que impliquem criar condições de realocar os indígenas ou os pequenos proprietários, que hoje não existe. Nos lugares em que isso aconteceu, como no Mato Grosso, e que teve esse procedimento de desapropriação e onde se sentou para negociar com todos os interessados, as coisas se encaminharam. Acho que essa é uma questão que se resolve no diálogo. Não existe no mundo, em nenhum lugar com população indígena de dimensão, sem diálogo, sem respeito às partes.

Prazos para expedição de licenciamentos

Ninguém dentro do governo federal pode não ter prazo. Todos nós temos de ter prazo. Quando cheguei ao governo, em 2003, não havia prazo para o Ibama. Foi uma longa discussão, um longo processo, porque, muitas vezes, os órgãos acreditam que ter prazo é uma interferência na atividade deles. Não é. Pelo contrário, ter prazo é característico da administração pública. Como presidente da República, tenho prazo. Todos os agentes públicos têm de ter prazo, é uma questão de respeito à população.

Combate à corrupção

Se você tem uma prática de pegar o tapete e esconder debaixo dele todos os malfeitos, todos os atos criminosos, todas as ações de corrupção, se o procurador-geral da República é chamado de engavetador geral, se a Polícia Federal não tem autonomia, você não vai ter casos sistemáticos de investigação, de punição e de evidências de que existe corrupção. O que fizemos foi criar todo um mecanismo de investigação. Hoje, a Polícia Federal tem autonomia de investigar, nós respeitamos a autonomia do Ministério Público Federal – acabou o engavetamento, criamos o Portal da Transparência, fortalecemos a Controladoria-Geral da União, que virou ministério e tem nível de apoio do governo total. Nós criamos todo um mecanismo que investiga o crime organizado, a lavagem de dinheiro, é integrado entre várias partes. Acredito que tivemos, sem sombra de dúvida, uma relação muito mais transparente, muito mais firme com a questão da corrupção. Por isso, aparece mais casos. Acredito muito que as instituições têm de ser virtuosas. Assim, os homens e as mulheres também serão virtuosas. As instituições têm de estar prontas para descobrir, investigar e punir, porque uma das piores coisas que tem é a impunidade. Se a pessoa considera que há impunidade, ela tem um incentivo implícito em cometer o delito.

Impunidade no país

Acho que todas as pessoas deste país que têm um compromisso com o Brasil têm de ficar incomodadas. Sempre acho que podemos fazer melhor. Você não pode fazer essas comparações. No passado, não aparecia porque não se investigava. A partir do governo Lula, isso foi feito. Todas essas construções começaram no governo Lula. Equipamos a Polícia Federal, que hoje dispõe de homens, recursos e equipamentos. Acho também que todos os órgãos... Por exemplo, o Ministério Público cumpre o seu papel, e a Polícia Federal cumpre o dela. Quando descobrir coisas indevidas, divulgue.

Política econômica

Nós vivemos em um mundo em que ocorreu a maior crise econômica dos últimos 80 anos. Todos os países desenvolvidos tiveram retração de proporções gigantescas. Os emergentes, como o Brasil, resistiram bastante, mas foram atingidos também. Acontece hoje que estamos em uma política reativa à crise. O objetivo foi não deixar repetir o enredo de sempre, que era o seguinte: a crise acontece lá fora, nós aqui desmontamos toda a estrutura social do país, desempregamos, arrochamos salários, perdemos a capacidade de construir a retomada. Acredito que estamos construindo uma retomada, um novo ciclo de desenvolvimento.

Política social

O Brasil ganhou duas coisas: inclusão social e estabilidade macroeconômica – ninguém pode dizer que o Brasil é um país instável com US$ 380 bilhões de reserva, com taxa de câmbio flutuante e com a inflação dentro da meta há muitos anos. E, ao mesmo tempo, tiramos da miséria 36 milhões de pessoas e 42 milhões elevamos para a classe média, criando um excepcional mercado interno. Precisamos de algumas medidas que eu chamaria de medidas que vão aumentar a produtividade para garantir a estabilidade e aumentar também o grau de desenvolvimento social do país. Quais são essas medidas? Primeiro, temos de continuar investindo em infraestrutura. Agora, temos de partir para ferrovia e hidrovia, fundamentais para o escoamento da produção. Temos de continuar investindo em banda larga, porque infraestrutura não é só energia e petróleo.

Educação

Temos de ter uma política de educação. O Pronatec tem o objetivo capacitar a nossa força de trabalho, garantir um padrão de qualificação profissional que o Brasil não tem e que, para enfrentar o futuro e a retomada, vai precisar ter. O Pronatec, que já formou 8 milhões, vai formar mais 12 milhões, totalizando 20 milhões de pessoas qualificadas. Além disso, temos de investir no Ensino Superior, por conta de que o Brasil precisa de entrar na era do conhecimento. Nenhum país do mundo chegou a desenvolvido sem três pilares. Primeiro, crianças tem de ter creche. Além disso, tem a alfabetização que precisa ser na idade certa. Terceiro: não há país que chegou a se desenvolver sem educação em tempo integral. Para isso, precisa de dinheiro. Dinheiro nós conseguimos, destinamos 75% dos royalties do petróleo para a educação.

Reforma tributária

O Brasil tem de se desburocratizar. Nós precisamos simplificar processos, modernizar o Estado... Acho que o Supersimples é o grande início da reforma tributária desse país. Nós, nesse processo, colocamos todos os setores dentro do Supersimples. Você precisará ter no Brasil um processo tributário – vou chamar de processo porque ele pode ser composto de reformas ou de leis que vão levando para frente algo que você não consegue fazer, porque tem uma discussão distributiva no Brasil que bloqueia uma porção de coisas. Acredito que a gente vai avançando. Se perceber que dá para fazer reformas, façamos. Estamos avançando parcialmente. A decisão de tornar perene a desoneração da folha de pagamento tem um objetivo nessa retomada, que é baratear o custo da mão de obra. O Brasil vai passar por um novo ciclo, que tem a ver com a melhoria da competitividade produtiva.

Piso do magistério

Eu acredito que o Brasil, sem valorizar professor, não melhora a educação. E acho que temos uma chance grande de melhorar a educação, de melhorar o salário. Mas não é só melhorar salário, é melhorar as exigências também, no que se refere ao professor na sala de aula, ao professor fazendo curso, tendo um bom desempenho... A lei do piso é uma visão que eu diria não de futuro para o professor. Vamos ter de ter uma política aberta e discutida para o professor, que terá de ter uma forma pela qual nós vamos remunerar sistematicamente, garantindo status e formação. Então, não é a lei do piso, é a lei da qualidade da educação. É essa lei que eu acho que vai mudar o Brasil. Temos de dar ao professor a categoria que ele não tem, e temos de fazer isso usando o dinheiro do petróleo, porque é um dinheiro que não é permanente. Temos de transformar uma riqueza finita em uma riqueza permanente.

Saúde pública

Tem um problema no Brasil que agora apareceu no Hospital da Restinga – mesmo a 20 quilômetros do centro de Porto Alegre –, que o médico tem dificuldade de ir para a Restinga. O que aconteceu no Brasil? Nós olhamos a relação médico-população, que é uma das menores. Tem pouco médico para muita população. Assim como não tem educação sem professor, não tem saúde sem médico. Fizemos o Mais Médicos, que tem por objetivo resolver, no Brasil inteiro, essa carência de médico. Se um hospital do porte e da qualidade do Hospital da Restinga reclama que não tem acesso, imagina um posto médico da cidade de Tiradentes, lá em São Paulo. Hoje, o programa tem 14 mil médicos, o que significa cobrir 50 milhões de pessoas. Temos de formar mais médicos no Brasil. Nossa meta é, até 2015, abrir 11,5 mil vagas. Quem diz que o Mais Médicos tem prazo de validade é porque não entende essa política. Agora o nosso próximo passo é resolver o acesso da população ao especialista e ao laboratório. No que se refere aos hospitais, eu acredito vamos ter de fazer política de expansão dos hospitais, em que seja permitido hospital público, PPP, hospital privado, em larga escala. Temos de ter recursos múltiplos e há de ter também visão de fortalecimento do SUS – o programa Mais Médicos é para isso –, mas tem que perceber que o setor da medicina privada tem lá sua importância, porque cuida de milhões de brasileiros.

Reajuste na tabela do SUS para hospitais filantrópicos

Os hospitais pedem, e o SUS avalia. Acho que, sempre que possível, há reajuste. Não estou dizendo que vou reajustar. Fizemos para eles a maior e melhor renegociação dos últimos tempos e trocamos parte da dívida por leitos.

Crise na Petrobras

Acho gravíssimo politizarem uma discussão desse tipo. E não acho responsável. Espero que não se faça política nesse assunto. A Petrobras é maior empresa desse país, e a Maria das Graças Foster tem méritos inequívocos. A Petrobras está em uma linha de crescimento irreversível, porque todas as providências foram tomadas para que isso ocorresse. Não vou fazer nenhum julgamento sobre uma pessoa da qualidade da presidente Maria das Graças Foster baseado em avaliações que acho questionáveis.


PRESIDENTE DA REPÚBLICA E CANDIDATA DO PT À REELEIÇÃO

domingo, 10 de agosto de 2014

ACABAR COM A SECRETARIA DA SEGURANÇA

CORREIO DO POVO 25 DE JULHO DE 2014

Com a proposta de extinguir a Secretaria de Segurança do RS, Edison Estivalete (PRTB) propôs a democratização das polícias do Estado, onde o Chefe de Polícia e o Comandante da Brigada Militar tenha posição de secretario.

SIMPLIFICAÇÃO TRIBUTÁRIA É PROMESSA FACTÍVEL



Entendimento em torno do ICMS esteve próximo de ser concretizado. Início de mandato é bom momento para se avançar nesse tipo de reforma

POR EDITORIAL
O GLOBO 10/08/2014 0:00




Redução de carga tributária é um tópico presente nos programas de todos os candidatos à presidência da República. Mas, na prática, desde 1997 essa carga aumenta ou se estabiliza em patamares elevados, independentemente de quem ocupa o Palácio do Planalto ou o Ministério da Fazenda. Pode-se afirmar que é uma “questão suprapartidária”.

Tal redução nunca se materializa, pois as despesas primárias do setor público não param de avançar. E o pior é que os investimentos não deixam de ser uma parcela pouco expressiva no total dos gastos.

Desse modo, a carga tributária acaba sendo um dos fatores que inibem os investimentos e, por consequência, o bom funcionamento da economia. Além do setor público andar de roda presa, também os agentes privados não conseguem se financiar adequadamente, pois a poupança doméstica disponível é insuficiente para viabilizar novas inversões de capital.

Os contribuintes já não contam com a possibilidade de redução da carga tributária (em estratosféricos 37% do PIB), desesperançosos com o descumprimento de seguidas promessas. Para eles, virou uma utopia. Porém, mantêm a expectativa quanto à simplificação do sistema tributário. Dentro e fora do Congresso, especialmente no plano administrativo (no âmbito do Confaz, o conselho que reúne todos os secretários estaduais de Fazenda), houve alguns avanços na discussão em torno do ICMS. Chegou-se quase a um denominador comum, capaz de conciliar os interesses de diferentes unidades da Federação. O receio de perda de arrecadação e a falta de garantia de compensação capaz de convencer os estados que se consideram prejudicados impediram o consenso. Mas o acordo se mostrou factível, e não parece mais tão longe no horizonte.

Reforma tributária não é fácil. Mesmo que o sistema tributário em vigor não satisfaça ao fisco ou aos contribuintes, o temor de que as mudanças possam piorá-lo desestimulam as tentativas de reforma.

No caso da simplificação do ICMS, tema que está em pauta, não existe mais dúvida que todos sairão ganhando no médio e longo prazos. O problema está na fase de transição.

O momento mais propício para se chegar a um acordo que envolva o pacto federativo é o início dos mandatos presidencial e de governadores, assim como da nova legislatura no Congresso. Nos debates que antecipam as eleições gerais de outubro, essa é uma questão que merece ser abordada, para que candidatos não deixem de incluir a reforma em seus programas e agendas

Promessas de redução de carga tributária podem ser vãs por parte de políticos, mas simplificação e desburocratização dos procedimentos tributários estão ao alcance dos governantes que realmente se disponham a caminhar nessa direção. Será importante começo.




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